sábado, 29 de março de 2014

Samba e amor até mais tarde

Ontem foi uma dia brasileiro aqui em La Plata.
 
O dia amanheceu ensolarado e fez muito calor. Climinha de Natal. Fiquei de blusa, short e havaianas. Só faltou a praia!
O café da manhã do hostel teve frutas, suco e leite com cereal. Que raro!

E o prato do dia do almoço foi nada mais nada menos que "arroz con mariscos". MARISCOS. Camarão e lula, minha gente. Se não sabem, quem nasce na minha terra é chamado de Potiguar, em tupi significa comedor de camarão. Eu sou completamente apaixonada por camarão. Me esbaldei.
 
 

Depois me encontrei com o mineirinho Moisés, saímos juntos para ver um apartamento. E conversamos em bom português. Delicinha ouvir o sotaque dele.

De noite: festa de música brasileira. Muito samba no bar Hispano.

 Fui com amigos colombianos, argentinos, brasileiros e uma equatoriana, encontrei com mexicanos e chilenos também, e fiz todos dançarem. Ensinei tudo que sei de samba e gafieira e eles caíram na roda. Foi lindo! Nos divertimos horrores. Meus amigos colombianos sambam melhor que muitos brasileiros, deram show na ginga e malemolência. Trouxe caipirinha para eles e foi suuuuper aprovada.

No final da noite estávamos todos suados e com o samba no pé. Eles adoraram o ritmo e fui aprovada como professora.

A roda de samba, composta por músicos brasileiros e argentinos, era excelente. De vez em quando rolam essas festas, pois os argentinos adoram a música brasileira e muitos brasileiros moram aqui.
Quando estiver por aqui, procure uma dessas festas. Vale muito a pena e mata um pouco a saudade de casa.
  
                  
                          
 
 
   
 
Agora, é esperar por festas colombianas, mexicanas, equatorianas, chilenas... E seguimos bailando!

quarta-feira, 26 de março de 2014

Caso Banco e dicas para evitar ou sair de perrengues.

Hoje meu pai me deixou, voltou ao Brasil via Florianópolis (o ônibus sai de Buenos Aires, a viagem dura um dia e custa um pouco mais de 900 pesos). E me deixou também uma dívida de 1800 pesos no Hostel, referente a uma semana de diárias. Eu, que tive dificuldades com o cartão de crédito do Banco do Brasil e com minha conta do Santander, onde está minha bolsa, aqui, já estava me imaginando tendo que lavar os pratos ou lavar os banheiros para pagar minhas contas.

Na real, fiz um plano ontem que me fez acreditar que teria dinheiro para pagar pelo menos uma parte do valor que devia. Mas não estava segura se teria dinheiro para comer. Sério, que perrengue. Imaginei que descobriria o que é passar algumas boas horas sem comer.

Drama a parte, resolvi tudo sem grandes problemas, depois de apanhar nos dias anteriores para ter acesso ao meu dinheiro do Santander, consegui fazer o saque e tenho lar até domingo. Saquei também tudo que tinha no cartão VTM*, o que me assegurou dinda para comida e outros gastos.

Mas o fato me fez lembrar que seria importante dar dicas sobre banco/dinheiro para os futuros intercambistas. As dicas valem também pra qualquer outro tipo de viagem a outro país.
 
Informação importante: Quando o banco disser que funciona no exterior, não acredite. Todos os bolsistas do Programa Ibero-Americanas da minha universidade, somos cinco ao total, tiveram dificuldades para ter acesso ao dinheiro da bolsa. Eles estão na Espanha e Portugal e passaram por situações semelhantes a minha. Eu não consigo ver meu saldo, graças a Jah existe serviço pela internet, e não consigo sacar em qualquer caixa. Além de que eles cobram taxa pra tudo e as pessoas nem aqui, nem no Brasil, sabem de muita coisa, ou sabem te explicar porque está dando errado ou o que fazer.

Então, as dicas são:

Lembre de ligar para os bancos que tiver cartão para autorizar o uso em outro país. Apesar dele ter bandeira internacional isso não quer dizer que seu uso está liberado. Nenhum dos meus gerentes me avisou isso. Graças que meu irmão me falou um dia antes deu viajar.
 
Saque todo o dinheiro que puder. Passar longe do banco é uma boa opção, pelo menos por um tempo.

Leve algum dinheiro já na moeda do outro país. Quando chegar procure uma Casa de Câmbio de confiança. Pelo menos aqui na Argentina há muito problema de moeda falsa.

Faça um Cartão Travel Money, o meu é da Casa de Câmbio Confidence, de bandeira Visa*. É um cartão pré-pago, recarregável, protegido por chip e senha, que pode ser utilizado para saques e débitos, em qualquer banco e em lugar do mundo. O Cartão pode ser recarregado em Dólar Americano, Australiano, Canadense, Euro, Libra Esterlina, Peso Argentino. Você ou seus pais podem carregar via transferência bancária e qualquer pessoa que tenha o número do seu cartão pode recarregar na Agência em que você o fez. Ele salvou minha vida quando o cartão do BB não passou (sem motivo algum). 
A Carteira Mundial Estudantil da ISIC, que você adquire numa agência da STB (Student Travel Bureau), também é um Cartão Travel Money, mas é da bandeira MasterCard e não aceita recarga em Peso Argentino.

Deixe uma procuração com alguém de confiança. Você faz facilmente em um cartório e te garante segurança, no documento você dirá o que essa pessoa tem o direito de fazer em seu nome. Minha procuração permite que minha mãe tenha acesso as minhas contas e faça transações, além de responder por mim perante instituições públicas e privadas. Com esses contratempos que tenho tido com os bancos, minha mãe tem me salvado. Infelizmente a procuração me custou 52 realidades, já que cartório no Brasil é uma máquina de ganhar dinheiro.


Papai também me deixou saudades



PS: Meu pai é uma pessoa amável, só é um tanto atrapalhada. Ficou de me repassar o dinheiro quando chegasse ao Brasil. Ufa!

PS2:
No câmbio atual os valores são:
$900 = R$300
$1800= R$600

No mercado negro cada real vale 4 pesos. Então você divide esses valores por quatro. Exemplo:
$1800= R$450

segunda-feira, 24 de março de 2014

Memoria, Verdad y Justicia!

O final de semana foi intenso! 24 de março é o dia de recordar (para que a história não se repita) do Golpe Militar Argentino que deixou 30 mil pessoas desaparecidas. É feriado nacional e pude perceber que há uma forte campanha do Estado argentino pela Memória e celebração da Democracia, com festivais de cinema pelas cidades e peças publicitárias.

No sábado participei do Festival Cultural por la Memoria, organizado por um  grupo de esquerda chamado La Brecha. Diversos artistas se apresentaram e pude conhecer a produção cultural local. O que mais me encantou: um grupo musical de mulheres incrível chamado "La gran Puta", um artista visual chamado Champs Sauro (facebook com o mesmo nome) e o ritmo folclórico chamado Chacarera, a dança é lindíssima e tem uma energia parecida com a Ciranda nordestina, é uma dança de encontros, de troca.

Me emocionei muito no festival. Fotografias sobre a ditadura e sobre as lutas atuais da juventude argentina estavam espalhadas por todas as paredes do Galpón de Telosa, espaço autogestionado onde funciona uma escola popular para crianças e onde artistas circenses ensaiam. Vídeos foram exibidos, poesias foram declamadas. Chorei com a declaração de um pai que falava de seu filho e nora e de seu neto que nasceu em um campo de concentração e nunca viu seus pais. Chorei porque neste mesmo sábado, no Brasil, famílias marchavam pedindo um novo golpe militar. Um golpe que deixou não sei quantos mortos, torturados e desaparecidos no Brasil. Com urgência, precisamos festejar a memória.

No sábado estava muito frio. Meu lugar preferido foi uma fogueira, montada para assar hambúrgueres e salsichões. Lá conheci advogados populares e lembrei dos meus amigos brasileiros que são educadores populares em direito e cidadania. Conheci pessoalmente alunos da minha faculdade que tinha contato via Facebook.
Conheci também várias organizações de esquerda, de trabalho de base em universidades e bairros. Comprei livros, caderneta, jornais. Ajudei financeiramente o projeto de educação popular que funciona no galpão, pois alguns meses atrás o mesmo foi incendiado de forma suspeita.  O dinheiro arrecadado no evento tem como fim a reconstrução do espaço e das atividades.

No domingo participei da Marcha por la Memoria, Verdad e Justicia. Levei comigo a organização estudantil que faço parte no Brasil, a Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação (Enecos). Revi os rostinhos que estavam no Festival e conheci muitas outras organizações políticas daqui. Algumas me chamaram mais atenção: a Juventude Guevarista, a UJS (tem em todo canto essa sigla? kk), o Partido Obrero, a tradução seria Partido dos Trabalhadores (isso mesmo), o MST, mas não é o Movimento do Trabalhadores Sem Terra, e La Brecha, organização dos meus novos amigos.
Me surpreendi por não ver policiais, nem jornalistas.

Todas as organizações tinham sua batucada e muita animação. A cidade foi toda enfeitada com fotos das vítimas da ditadura, com faixas, cartazes, estêncis e pichações.
 
Nesse fim de semana, me senti em casa.  Me senti mais do que nunca latino-americana.
Temos uma história comum, temos um presente similar, temos um futuro a lutar.

"Lxs compañerxs detenidxs desaparecidxs, PRESENTES!
Ahora y SIEMPRE!
No olvidamos, no perdonamos y no nos reconciliamos."


 Programação do festival




 La Gran Puta
 
 
 
 
 La Cacharera



Estou sem máquina fotográfica e celular, infelizmente não pude tirar nenhuma foto do Festival ou da Marcha.


A primeira semana ou O cair a ficha.

Hoje, faz uma semana que estou em La Plata e posso fazer uma síntese das coisas que me aconteceram nesses dias e minhas impressões sobre a cidade.
Ainda não me caiu a ficha de que, aqui, é um novo lar e, às vezes, a cabeça gira por só ouvir espanhol e muito rápido, mas já penso em espanhol e estranho quando tenho que escrever em português.




Seguem minhas listinhas:

Das coisas que me fazem achar que vir para La Plata foi uma ótima escolha/ As coisas positivas da cidade:

La Plata é uma cidade planejada, em formato de losango, e mais parece um tabuleiro de xadrez. As ruas são numeradas, então é muito fácil de se encontrar.

Agora, no outono, é ensolarado, mas tem um vento friozinho, o que faz o clima ficar ameno e não te cansar. Passo o dia todo andando e resolvendo coisas, e é tranquilo.

As pessoas são muito educadas e solícitas. Me ajudam sempre. E a maioria é bem simpática, principalmente quando descobrem que sou brasileira.

A cidade é bem limpa e arborizada. Tem muitas praças e parques.

O sinal avisa quanto tempo falta para mudar de coloração. Eu, que, em Natal, quase morria todos os dias no trânsito, ando mais segura.

É uma cidade pequena e tranquila. Me sinto muito segura.

Os doces e as massas são deliciosas.

Há água com sabor de frutas, o que está sendo ótimo para mim. Eu, que mal tomava água, ando sempre com uma garrafinha, pois são muito gostosas. Tem sabor pera, maçã, laranja, uva... Deve dar câncer e cárie, mas pelo menos me hidrato e tem vitaminas B1 e B12.



Os aprendizados:

A comida é pouco salgada e nada condimentada.

Dois beijinhos é coisa que só existe no Nordeste brasileiro, acho.

Andam com garrafinha térmica e mate sempre a mão.

Balada só termina as sete horas da manhã. Se prepara para ir ao trabalho, escola, faculdade de ressaca.

A TV do Grupo Clarín é tão ruim quanto dizem. Sensacionalismo puro!


As dificuldades:

Como estava sem praticar espanhol, às vezes, me enrolo. Esqueço que, aqui, só se usa vos.
Querer se expressar e não saber como é uma das piores coisas da vida.

A comida não é muito variada. Tenho fome, mas não sinto apetite. A culinária se resume a: carne, batata, pizza, massas,  sanduíches, pães, empanadas, medialunas, chá, café, mate, refrigerante, cerveja, vinho, água saborizada.

Purê de batata é muito sem gosto. E eu amo purê de batata.

Suco de Laranja é industrializado.

Como a cidade não é costeira  frutos do mar é coisa escassa.

O café da manhã só é café/chá e medialunas (croissant) ou pão. Nada de frutas, suco, ovos.

Aqui mal tem suco ou frutas. É difícil ser saudável.

Apanho para tomar banho. Não consigo regular bem as torneiras de frio e quente, e acabo me pelando de calor ou me congelando, no início do banho.

Sair com cabelo molhado é pagar pelos pecados. Preciso, com urgência, comprar uma touca e um secador.

Nos dias mais frios minha orelha e nariz esfriam muito. E meus lábios quase racham. Preciso comprar soro para nariz e olhos e lembrar de usar manteiga de cacau nos lábios. Roupas de frio, com urgência!


Outras impressões:

A maioria das pessoas são de Classe Média. Os pobres são, geralmente, pessoas de traços indígenas ou negros (africanos, bolivianos e peruanos que vem para cá à procura de emprego). Não há muitas pessoas mestiças.

Por ser uma cidade universitária, existem muitas organizações estudantis. É uma cidade com efervescência política.

sábado, 22 de março de 2014

Finalmente 17 de março!

Cheguei na segunda, 17 de março, em Buenos Aires. Meu voo partiu de São Paulo, onde passei cinco dias para aproveitar um pouco das férias com meus irmãos, cunhadas e sobrinhos que moram por lá. Fui recebida no Aeroparque por Dan, filho de um grande amigo de uma tia, a quem fiquei de passar uns dólares. De início achei que essa era uma péssima ideia. Mas não, Dan foi a melhor coisa que me aconteceu, pois ele me levou pra trocar dinheiro num lugar confiável e se passou de guia turístico, levando eu e meu pai (ele aproveitou para viajar também e me ajudar a encontrar um lar) para conhecer os bairros Palermo e Recoleta. Além de me dar várias dicas de sobrevivência ou de como viver bem aqui.

Almoçamos o prato típico do dia-a-dia argentino: Milanesa napolitana con puré de papas y gaseosa. Traduzo pra você: Filé de carne à milanesa com queijo, presunto e tomate, acompanhado de purê de batatas e refrigerante. Depois falo mais das minhas impressões sobre a culinária argentina.

Fizemos o passeio que antes achava o mais bizarro de todos: cemitério. Mas foi bom para conhecer um pouco mais da história argentina e suas figuras públicas. O Cemitério da Recoleta é imenso, mais parece um labirinto, e tem construções bem luxuosas, repletas de estatuetas. O mausoléu de Evita é o mais procurado. Tinha gente do mundo todo lá!




Também conhecemos a Floralis Genérica, uma escultura metálica em forma de flor de seis pétalas que possui um sistema elétrico que a faz abrir ao amanhecer e fechar ao anoitecer. É lindíssima! Se encontra na Plaza de Las Naciones Unidas, vale a pena conhecer.

Depois fomos ao apartamento de Dan e vimos todo o bairro de Palermo. Ele mora perto do Zoológico e do Jardim Botânico, sua vista é inundada de verde, fiquei encantada.

Por fim, pegamos um taxi até La Plata. Isso nos custou 650 pesos, mas minha mala pesada não nos permitia uma viagem de ônibus. E dá praticamente o mesmo em relação a gastos. Existe uma autopista Buenos Aires-La Plata com duas estações de pedágio ($6 ou 8), a viagem dura uns 40 minutos.

Me instalei no hostel e conversei com os queridos e queridas que ficaram no Brasil. Demorei para dormir. Muita ansiedade para conhecer minha nova cidade.

Me chamo Isadora Morena, tenho 19 anos, sou potiguar, da cidade de Natal (Sim, aquela de belas praias que você passa férias). Estudo Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

E o motivo de criar esse blog é o mais clichê de todos: Sou intercambista.

Fui selecionada pelo Programa de Bolsas Ibero-Americanas e cursarei um semestre (2014.1)  na Facultad de  Periodismo y Comunicación Social de la Universidad Nacional de La Plata. Aqui será o lugar para registrar e compartilhar as histórias que viverei em "La Ciudad de las Diagonales", La Plata, capital da Província de Buenos Aires, no país hermano Argentina.

Bienvenidos!