segunda-feira, 24 de março de 2014

A primeira semana ou O cair a ficha.

Hoje, faz uma semana que estou em La Plata e posso fazer uma síntese das coisas que me aconteceram nesses dias e minhas impressões sobre a cidade.
Ainda não me caiu a ficha de que, aqui, é um novo lar e, às vezes, a cabeça gira por só ouvir espanhol e muito rápido, mas já penso em espanhol e estranho quando tenho que escrever em português.




Seguem minhas listinhas:

Das coisas que me fazem achar que vir para La Plata foi uma ótima escolha/ As coisas positivas da cidade:

La Plata é uma cidade planejada, em formato de losango, e mais parece um tabuleiro de xadrez. As ruas são numeradas, então é muito fácil de se encontrar.

Agora, no outono, é ensolarado, mas tem um vento friozinho, o que faz o clima ficar ameno e não te cansar. Passo o dia todo andando e resolvendo coisas, e é tranquilo.

As pessoas são muito educadas e solícitas. Me ajudam sempre. E a maioria é bem simpática, principalmente quando descobrem que sou brasileira.

A cidade é bem limpa e arborizada. Tem muitas praças e parques.

O sinal avisa quanto tempo falta para mudar de coloração. Eu, que, em Natal, quase morria todos os dias no trânsito, ando mais segura.

É uma cidade pequena e tranquila. Me sinto muito segura.

Os doces e as massas são deliciosas.

Há água com sabor de frutas, o que está sendo ótimo para mim. Eu, que mal tomava água, ando sempre com uma garrafinha, pois são muito gostosas. Tem sabor pera, maçã, laranja, uva... Deve dar câncer e cárie, mas pelo menos me hidrato e tem vitaminas B1 e B12.



Os aprendizados:

A comida é pouco salgada e nada condimentada.

Dois beijinhos é coisa que só existe no Nordeste brasileiro, acho.

Andam com garrafinha térmica e mate sempre a mão.

Balada só termina as sete horas da manhã. Se prepara para ir ao trabalho, escola, faculdade de ressaca.

A TV do Grupo Clarín é tão ruim quanto dizem. Sensacionalismo puro!


As dificuldades:

Como estava sem praticar espanhol, às vezes, me enrolo. Esqueço que, aqui, só se usa vos.
Querer se expressar e não saber como é uma das piores coisas da vida.

A comida não é muito variada. Tenho fome, mas não sinto apetite. A culinária se resume a: carne, batata, pizza, massas,  sanduíches, pães, empanadas, medialunas, chá, café, mate, refrigerante, cerveja, vinho, água saborizada.

Purê de batata é muito sem gosto. E eu amo purê de batata.

Suco de Laranja é industrializado.

Como a cidade não é costeira  frutos do mar é coisa escassa.

O café da manhã só é café/chá e medialunas (croissant) ou pão. Nada de frutas, suco, ovos.

Aqui mal tem suco ou frutas. É difícil ser saudável.

Apanho para tomar banho. Não consigo regular bem as torneiras de frio e quente, e acabo me pelando de calor ou me congelando, no início do banho.

Sair com cabelo molhado é pagar pelos pecados. Preciso, com urgência, comprar uma touca e um secador.

Nos dias mais frios minha orelha e nariz esfriam muito. E meus lábios quase racham. Preciso comprar soro para nariz e olhos e lembrar de usar manteiga de cacau nos lábios. Roupas de frio, com urgência!


Outras impressões:

A maioria das pessoas são de Classe Média. Os pobres são, geralmente, pessoas de traços indígenas ou negros (africanos, bolivianos e peruanos que vem para cá à procura de emprego). Não há muitas pessoas mestiças.

Por ser uma cidade universitária, existem muitas organizações estudantis. É uma cidade com efervescência política.

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